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Dra. Débora Cordeiro – Reumatologista em Moema, São Paulo – SP

Dor nas articulações/ “juntas” nem sempre é “idade” ou “desgaste”. Entenda como distinguir artrite de artrose, quais são os tipos e quando a avaliação com reumatologista é urgente.

Resposta rápida: artrite é a inflamação da articulação — dor, inchaço, calor e vermelhidão com rigidez matinal que dura mais de 30 a 60 minutos. É diferente da artrose, que é desgaste mecânico da cartilagem. As artrites inflamatórias, como a artrite reumatoide, podem levar à destruição da articulação de forma permanente se não forem tratadas cedo. A boa notícia é que, com o diagnóstico e o tratamento corretos, a maioria dos pacientes consegue controlar a doença e entrar em remissão, levando uma vida normal. O reumatologista é o médico especialista nesse cuidado.

Quem é a reumatologista Débora Cordeiro do Rosário, especialista em artrite?

Sou médica formada pela Universidade de Taubaté. Fiz residência em Clínica Médica no SUS, em São Paulo, e depois residência em Reumatologia na Faculdade de Medicina da USP, onde também concluí o doutorado com foco em Lúpus eritematoso sistêmico.

Tenho título de especialista em Reumatologia pela Sociedade Brasileira de Reumatologia e, ao longo de 10 anos, atendi pacientes com doenças reumáticas de alta complexidade.

Atualmente, faço parte do corpo clínico dos hospitais Sírio-Libanês e Nove de Julho e atendo em consultório particular, onde consigo fazer o que mais valorizo na medicina: conhecer cada paciente de perto, ouvir sua história com calma e caminhar junto no tratamento.

Como é a consulta e o que levar

A avaliação inclui história detalhada, exame articulação por articulação, contagem de articulações dolorosas e inchadas — que é o que permite medir objetivamente a atividade da doença ao longo do tempo — e, quando indicado, exames de imagem. Ao final, é definido um plano com meta e prazo de reavaliação.

Para otimizar sua consulta, leve: exames anteriores (mesmo os mais antigos), a lista de medicações em uso com suas doses, fotos das articulações inchadas durante os dias de crise e um breve resumo de quando os sintomas começaram e como evoluíram ao longo do tempo.

Artrite não é artrose: a distinção que muda tudo

Essa é, de longe, a dúvida mais comum no consultório. Artrite e artrose produzem dor articular, mas por mecanismos diferentes, e o tratamento de uma não serve para a outra. Na artrose, o problema é mecânico: a cartilagem que amortece a articulação se desgasta ao longo de décadas. Na artrite, o problema é imunológico/autoimune: o próprio organismo ataca a articulação gerando inflamação e destruição articular.

 Artrite (dor inflamatória)Artrose (dor mecânica)
Quando pioraEm repouso e à noite; melhora com o movimentoCom o uso e ao longo do dia; melhora com repouso
Rigidez matinalMais de 30–60 minutosMenos de 30 minutos
   
   
Idade típicaQualquer idade, inclusive 30–50 anosMais frequente após os 50–60 anos
Risco principalDestruição articular e dano em outros órgãosPerda progressiva de função da articulação

Nem toda dor nas articulações é “da idade”. Esse pensamento ainda atrasa o diagnóstico de muitas pessoas com artrite reumatoide. Dor persistente, rigidez ao acordar que dura mais de 30 minutos e inchaço nas articulações são sinais de alerta e merecem avaliação por um reumatologista.

Os principais tipos de artrite

Artrite reumatoide

Doença autoimune crônica que inflama a membrana sinovial das articulações, tipicamente de forma simétrica e em pequenas articulações das mãos e dos pés por mais de 6 semanas. Rigidez matinal prolongada é a marca registrada. Sem tratamento, causa erosão óssea e deformidades irreversíveis. Acomete cerca de três vezes mais mulheres e costuma se manifestar entre 30 e 50 anos. Além das articulações, pode afetar pulmões, olhos e vasos e aumenta de forma significativa o risco cardiovascular, o que faz do controle da inflamação também uma medida de proteção do coração.

Artrite psoriásica

Associada à psoríase — que pode ser discreta, restrita ao couro cabeludo, ao umbigo, à região atrás das orelhas ou às unhas, e passar completamente despercebida pelo paciente. Sinais característicos: dedo inteiro inchado (dactilite), dor nos calcanhares ou na planta do pé por inflamação das ênteses (entesite), e alterações nas unhas como pontilhados e descolamento da unha. Pode acometer a coluna. Exige uma avaliação cuidadosa da pele, unhas e couro cabeludo, além do exame das articulações.

Espondiloartrite axial (espondilite anquilosante)

Costuma se apresentar como dor lombar inflamatória em adultos jovens: início antes dos 45 anos, dor que piora no meio da madrugada e chega a acordar o paciente, melhora com exercício e piora com repouso, associada a rigidez matinal na coluna. É frequentemente confundida com “problema de coluna”, hérnia de disco ou má postura por anos. Pode vir acompanhada de inflamação ocular (uveíte) e de doença inflamatória intestinal.

Gota

Crises de dor intensas, geralmente no dedão do pé, com vermelhidão marcante e início súbito — muitas vezes de madrugada, a ponto do paciente não tolerar o peso do lençol. Causada por depósito de cristais de ácido úrico nas articulações. É uma das poucas artrites em que o mecanismo é totalmente conhecido e o controle é altamente eficaz — mas exige tratamento contínuo entre as crises, e não apenas analgesia durante elas. Tratar só a crise é o erro clássico que leva à formação de tofos e à destruição articular ao longo dos anos.

Artrites associadas a doenças autoimunes

Lúpus, síndrome de Sjögren, esclerose sistêmica e outras colagenoses podem cursar com artrite. Nesse caso, a articulação é apenas uma peça de um quadro mais amplo, e o tratamento precisa considerar os demais órgãos envolvidos — mais uma razão para a avaliação especializada.

Artrites reativas e infecciosas

Algumas artrites surgem semanas após uma infecção intestinal ou urinária. Outras — as sépticas — são emergências: uma única articulação muito inflamada, com febre e dor intensa de instalação rápida, exige avaliação imediata.

Sinais de alerta: procure um reumatologista se você tem

  • Rigidez ao acordar que dura mais de 30 minutos.
  • Inchaço em uma ou mais articulações.
  • Dor articular que acorda você de madrugada.
  • Dor em mãos, punhos ou pés dos dois lados do corpo.
  • Dificuldade nova para fechar a mão, abrir um pote, girar a chave ou apertar um botão.
  • Dor lombar inflamatória iniciada antes dos 45 anos.
  • Dor articular acompanhada de psoríase, fadiga intensa, febre ou perda de peso.
  • Crises recorrentes de dor e vermelhidão súbitas em uma articulação.

A janela de oportunidade. Na artrite reumatoide, existe um intervalo de aproximadamente 12 semanas desde o início dos sintomas em que o tratamento é substancialmente mais eficaz. Pacientes tratados dentro dessa janela têm taxas maiores de remissão e menos dano articular ao longo da vida. Mas, depois dela, o alvo continua alcançável.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa e termina no raciocínio clínico. Os exames confirmam, quantificam e ajudam a escolher o tratamento — não substituem o exame cuidadoso das articulações, feito uma a uma.

  • Fator reumatoide e anti-CCP: o anti-CCP (anticorpos anti-peptídeos citrulinados cíclicos) é mais específico e pode aparecer anos antes dos sintomas. Mas 20% a 30% das artrites reumatoides são soronegativas — exames negativos não excluem a doença.
  • VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C reativa): medem, indiretamente, a inflamação e ajudam a monitorar a resposta ao tratamento ao longo do tempo.
  • Ácido úrico: útil na gota, com a ressalva importante de que pode estar normal justamente durante a crise.
  • HLA-B27: apoia o diagnóstico de espondiloartrite em contexto clínico compatível, mas isoladamente, não significa que a pessoa tenha a doença, já que muitas pessoas saudáveis também apresentam esse marcador.
  • Análise do líquido articular: define o diagnóstico em casos de dúvida entre gota, pseudogota e, principalmente, para diagnosticar ou afastar infecção.

O papel da imagem

A radiografia simples é útil, mas mostra as erosões — quando o dano já ocorreu. O ultrassom articular com Doppler detecta inflamação ativa da membrana sinovial e erosões precoces que o raio-X ainda não revela, além de permitir avaliar as entesites. A ressonância magnética das articulações sacroilíacas é o exame que identifica espondiloartrite axial anos antes de qualquer alteração radiográfica. Usar a ferramenta certa no momento certo é o que permite o diagnóstico e tratamento precoces.

Tratamento: a meta é remissão, não “conviver com a dor”

A reumatologia mudou radicalmente nas últimas duas décadas. Tratar artrite hoje não é administrar anti-inflamatório indefinidamente: é modificar o curso da doença, com alvo definido e reavaliações periódicas — a estratégia conhecida como treat-to-target — até atingir remissão ou baixa atividade. Se a meta não for alcançada em cerca de três meses, o esquema é ajustado. Aceitar a dor persistente como “normal” é um padrão de cuidado ultrapassado.

Medicamentos que modificam a doença (DMARDs)

O metotrexato segue sendo a âncora do tratamento da artrite reumatoide, em geral em dose semanal e associado ao ácido fólico. Leflunomida e sulfassalazina são alternativas. Esses medicamentos não são analgésicos: eles agem sobre o processo imunológico e levam semanas para atingir efeito pleno, o que precisa estar claro desde o início para que o paciente não desista antes da hora.

Imunobiológicos e inibidores de JAK

Quando a resposta é insuficiente, entram os imunobiológicos, anti-TNFs, abatacepte, tocilizumabe, rituximabe, os anti-IL-17 e anti-IL-23 (particularmente úteis na artrite psoriásica e nas espondiloartrites) e os inibidores de JAK, de uso oral. A escolha considera o tipo de artrite, as comorbidades, o plano de gestação, o risco cardiovascular e o perfil de segurança de cada classe. É uma decisão individualizada, não existe “o melhor biológico”, existe o mais adequado para aquele paciente.

Anti-inflamatórios e corticoide

Aliviam os sintomas rapidamente e servem como ponte até o DMARD fazer efeito. Não impedem a destruição articular e por isso nunca devem ser o tratamento definitivo. O uso prolongado de anti-inflamatórios traz risco gástrico, renal e cardiovascular.

Segurança e monitoramento

Todo tratamento imunossupressor exige rastreio prévio (tuberculose latente, hepatites B e C), vacinação atualizada e exames laboratoriais periódicos. Feito de forma estruturada, o perfil de segurança é bom e conhecido, o risco maior, na prática, costuma ser o da doença não tratada.

Além dos medicamentos

  • Exercício: fortalecimento e mobilidade preservam função, reduzem a dor e melhoram a fadiga.
  • Parar de fumar: o cigarro aumenta o risco de artrite reumatoide, agrava a doença e reduz a resposta ao tratamento.
  • Controle do peso: reduz sobrecarga articular e melhora a resposta terapêutica, sobretudo na artrite psoriásica.
  • Proteção cardiovascular: a inflamação crônica aumenta o risco de infarto; controlá-la também protege o coração.
  • Saúde óssea: avaliação de osteoporose, principalmente em quem usa corticoide.

Mitos frequentes

“Artrite é coisa de idoso.” A artrite reumatoide tem pico entre 30 e 50 anos, e a espondiloartrite começa antes dos 45.

“Se o exame deu negativo, não é artrite.” Boa parte das artrites inflamatórias é soronegativa. O diagnóstico é clínico.

“Tenho que aprender a conviver com a dor.” Não. A meta atual do tratamento é remissão — ausência de dor e de inflamação.

“Umidade e chuva causam artrite.” O clima pode influenciar a percepção da dor em alguns pacientes, mas não causa nem agrava a doença.

Perguntas frequentes

Artrite tem cura?

Ainda não existe cura para as artrites inflamatórias crônicas — mas existe remissão: a doença fica ‘adormecida’, sem dor, sem inchaço e sem progressão de danos. Com diagnóstico e tratamento precoces, essa meta está ao alcance da maioria dos pacientes.

Artrite só afeta idosos?

Não. A artrite reumatoide costuma iniciar entre 30 e 50 anos e a espondiloartrite axial, antes dos 45. Existe até artrite na infância.

Fator reumatoide negativo exclui artrite reumatoide?

Não. Boa parte dos casos é soronegativa e o diagnóstico é clínico, apoiado em ultrassom ou ressonância quando necessário.

Metotrexato faz mal ao fígado?

Nas doses reumatológicas, com o ácido fólico associado e exames de controle periódicos, o perfil de segurança é bom. Excesso de álcool deve ser evitado.

Quem tem artrite pode fazer exercício?

Sim, e deve. Durante crises agudas a intensidade é reduzida, mas repouso prolongado piora dor e a função.

Alimentação influencia a artrite?

Dieta equilibrada e controle de peso ajudam, mas não substituem os medicamentos que modificam o curso da doença.

Estalar os dedos causa artrite?

Não. Não há evidência de que o hábito cause artrite ou artrose.

Dor ou inchaço nas articulações? Não espere piorar.

No caso das artrites inflamatórias, tempo é articulação.

Dra. Débora Cordeiro do Rosário

Reumatologista | CRM-SP 149937 · RQE 82384

Formação e especialização pela Universidade de São Paulo (USP)

📍 Av. Ibijaú, 331 — Moema, São Paulo

📞 (11) 5052-0909 | (11) 5051-4585

💻 Agendamento online: Doctoralia

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único e merece avaliação individualizada por um profissional de saúde.

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